Negligência na Saúde: quase 10 milhões de testes continuam parados



Reportagem do ‘Estado de S. Paulo’ revela que pasta da Saúde mantém desde julho os mesmos quase 10 milhões de testes “padrão ouro” para diagnóstico de Covid-19 parados por falta de insumos. Enquanto isso, negócios com hidroxicloroquina seguem em alta no ministério, que quintuplicou o envio da droga para unidades do SUS entre março e julho. Diretor de emergências da OMS alerta sobre campanha de desinformação de Bolsonaro

pandemia do coronavírus segue avançando pelo país, que já ultrapassou a marca de 127 mil mortes por coronavírus e 4.150.311 milhões de contaminações. No feriado, multidões aglomeradas foram vistas nas principais praias do país. A tragédia sanitária é resultado direto da campanha de desinformação sobre a doença promovida por Bolsonaro e da incompetência da pasta da Saúde, cujo ministro interino, general Eduardo Pazuello, esforça-se para não fazer nada em relação ao combate ao vírus. Na sexta-feira (4), nova reportagem do ‘Estado de S. Paulo’ revelou que o ministério mantém os mesmos quase 10 milhões de testes “padrão ouro” parados por falta de insumos. Segundo a denúncia do jornal, dos 22,9 milhões de exames do tipo RT-PCR para Covid-19, apenas 6,4 milhões foram enviados a estados e municípios pela pasta, o que corresponde a 28% do total.

Gestores informaram ao diário que os testes estão encalhados porque o governo enviou kits incompletos para processar amostras. Faltam insumos para a realização de testes. Segundo a reportagem , desde julho, quando o ‘ Estadão’ revelou que o governo mantinha 9,85 milhões de testes parados, praticamente não houve distribuição de kits: 9,46 milhões de unidades permanecem paradas no ministério. O jornal noticia que foram distribuídos apenas 2,48 milhões de cotonetes “swab” e 1,8 milhão de tubos, número insuficiente para coleta de amostras. Ainda de acordo com a reportagem, foram enviados aos estados apenas 622,6 mil insumos para coleta de material genético (RNA).

Por causa do atraso, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou somente 2,65 milhões de testes. De acordo com a reportagem, em julho, a pasta omitiu a informação de que fora alertada pelos estados sobre a falta de insumos, declarando o contrário, que estados e municípios não fizeram pedidos.

Negócios com cloroquina

Enquanto isso, o general Eduardo Pazuello age como se o Ministério da Saúde fosse uma empresa de representação da hidroxicloroquina enviada pelos EUA. Segundo a ‘ Folha de S. Paulo’, a pasta quintuplicou a distribuição da droga para estados e municípios, numa tentativa de desovar o estoque acumulado nos últimos meses.

A ‘Folha’ revelou que, entre e março e julho, foram distribuídos nada menos do que 6,3 milhões de comprimidos de cloroquina às unidades do SUS. O número representa 455% a mais do que o enviado no ano passado durante o mesmo período. Para Pazuello e Bolsonaro, pouco importa que não exista um estudo comprovando a eficácia da hidroxicloroquina em tratamentos para pacientes infectados por Covid-19.  Os testes com a droga, aliás, foram abandonados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) há quase três meses.

Pior: muitos estados não estão utilizando as remessas da droga. É o caso do Paraná, que distribuiu apenas 36% do lote enviado, mesmo percentual do Distrito Federal. Em São Paulo, quase metade dos 986 mil comprimidos encaminhados, cerca de 450 mil unidades, foi devolvido. No Rio de Janeiro, informa o jornal, a Secretaria de Saúde afirmou que tem estoque da droga para três meses, um claro sinal de que a estratégia do “especialista” em logística da pasta revelou-se um completo desastre.

Sem efeito

“Todo mundo receitava cloroquina no início, até termos os primeiros resultados que apontavam que não fazia efeito”, contou ao jornal o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula. “Foi um processo de tentativa e erro. O ministério entregou uma quantidade considerável e, depois, paramos”, relatou.

O Maranhão, segundo o secretário, passará a usar os 80 mil comprimidos acumulados para tratar casos indicados exclusivamente na bula, como lúpus, malária e artrite.

Campanha de desinformação

Na segunda-feira (7), o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, fez referência à campanha de desinformação promovida pelo presidente Jair Bolsonaro sobre a Covid-19. “Se as comunidades perceberem que estão obtendo informações politicamente manipuladas ou gerenciadas de forma que distorce evidências, isso volta ao governo politicamente em um estágio posterior”, alertou Ryan.

Ele pediu transparência e honestidade dos governos ao tratarem da pandemia.”Os cidadãos no Brasil e em muitos países podem olhar e buscar informações em várias fontes, e, certamente, acho bom estar em uma posição em que você pode ter uma confiança absoluta em qualquer governo, mas também é importante que as pessoas busquem várias fontes de informação”, sugeriu.

“Os bons governos constroem a confiança das comunidades fornecendo-lhes apenas informações verificadas e baseadas em evidências. Porque, se as coisas derem errado, as comunidades vão entender”, disse o diretor de emergências.

Da Redação, com informações de ‘Estado de S. Paulo’ e ‘Folha de S. Paulo’



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Matéria publicada no site Partido dos Trabalhadores e replicada neste canal.